A Psicologia como Ciência e Profissão no Brasil


A Psicologia como área do conhecimento inicialmente era parte da Filosofia. Seus primeiros estudos empíricos foram desenvolvidos por iniciativa de médicos e educadores.

Em 1875 Wilhelm Wundt em Leipizig, na Alemanha, criou o primeiro Laboratório de Psicologia Experimental. O intenso trabalho de pesquisa desenvolvido por Wundt e outros estudiosos ofereceram as bases científicas positivistas para instituir uma Psicologia como campo do conhecimento desvinculado da Filosofia. Desde então, a Psicologia vem estruturando uma profissão que cada dia mais se especializa e define sua atuação no campo das ciências.

No Brasil, os primórdios da Psicologia Científica surgiram com as teses de doutoramento em Neuropsiquiatria, Psicofisiologia e Neurologia da Faculdade de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro, nas quais a Psicologia tinha uma participação no interesse do estudo.

Também os Educadores tiveram uma grande contribuição para a constituição da Psicologia enquanto ciência. Vários foram os pioneiros que trouxeram os conhecimentos que estavam sendo desenvolvidos na Psicologia Experimental em outros países e fundaram diversos Laboratórios de Psicologia Educacional pelo país, nos quais se realizavam estudos para o desenvolvimento de testes de atenção, de memória, de inteligência, de maturidade para a leitura, entre outros. Entre alguns dos importantes nomes deste período estão: Lourenço Filho, Fernando de Azevedo e Anísio Teixeira.

A história da Psicologia no Brasil tem um avanço também com a estruturação em 1934 da Universidade de São Paulo e a Cátedra de Psicologia, na qual foi incorporada a disciplina que integrava o Instituto Caetano de Campos desenvolvida na área da Educação.

No Brasil a profissão de psicólogo foi regulamentada em 27 de agosto de 1962 com a Lei no. 4.119 promulgada pelo Presidente da República João Belchior Goulart. Naquele momento o texto da Lei previa diplomas de especialista em Psicologia Educacional, Psicologia Clínica e Psicologia Aplicada ao Trabalho (CFP, 19XX).

A Psicologia até esta época não possuía um Conselho regulamentador da profissão e as diversas associações que foram sendo constituídas no período auxiliaram a estruturação de um Conselho Federal de Psicologia e de Conselhos Regionais que regulamentariam e fiscalizariam o exercício profissional. Entre as mais relevantes entidades existentes estão: a Sociedade Brasileira de Psicanálise, fundada em 1927, e a Sociedade de Psicologia de São Paulo, fundada em 1945, atual Associação de Psicologia de São Paulo e a Associação Brasileira de Psicologia, criada em 1954.

Após vários esforços das Associações que realizaram diversos encontros nacionais no período, finalmente em 1973 elegeu-se o primeiro Conselho Federal de Psicologia, que teve por sede inicial as dependências do Ministério do Trabalho. Em 1974, após a criação do Regimento Interno do Conselho Federal de Psicologia são empossados os membros dos Conselhos Regionais de Psicologia.

O Conselho Federal desde os primórdios de sua existência mostrou o empenho na elaboração de leis fundamentais visando o fortalecimento da unidade da classe dos psicólogos. Objetivo que vem sendo conquistado até os dias atuais.

Embora tenha completado apenas 63 anos, a Psicologia no Brasil enquanto Ciência e Profissão foi ganhando unidade e cada vez mais participação na sociedade brasileira. Muito do que colhemos hoje foi fruto do esforço e dedicação dos pioneiros da Psicologia, cujo trabalho ganhou força por meio das Associações, como a Associação de Psicologia de São Paulo, que em 2015 completa 70 anos de existência.

Os pioneiros que participaram da construção das bases da profissão em nosso país, nem sempre são nomes lembrados em nosso cotidiano profissional, mas é importante destacar que deixaram um legado em termos de ideais e práticas que a Associação de Psicologia de São Paulo tem orgulho em rememorar e homenagear neste espaço de compartilhamento virtual oficial.